Cartografia afro-lusa

de Cultura, Artes e Língua

Projeto investigativo e editorial que acompanha o acervo em produção na plataforma – "Estórias Portugal-Áfricas / imagens & narrativas". Esta cartografia concretizar-se-á num glossário de termos interdisciplinar e temático, aberto a contributos, mediante revisão por pares.

A marca desta investigação – Imagens & Narrativas: Portugal_Áfricas – é essencialmente interdisciplinar e assim, também o Glossário que expandirá o objeto em análise é pensado nessa dimensão. Esta cartografia concretiza-se num glossário de termos que fundamentam e amplificam as leituras possíveis do acervo em constituição e trazem um maior rigor descritivo às temáticas em análise neste projeto.

Projeto investigativo e editorial que acompanha o acervo em produção na plataforma – Estórias Portugal-Áfricas // imagens & narrativas. Esta cartografia concretizar-se-á num glossário de termos interdisciplinar e temático, aberto a contributos, mediante revisão por pares, que fundamentem e amplifiquem as leituras possíveis do acervo em constituição e tragam um maior rigor descritivo às temáticas em análise no projeto.

A marca desta investigação – Imagens & Narrativas: Portugal_Áfricas – é essencialmente interdisciplinar e assim, também o Glossário que expandirá o objecto em análise é pensado nessa dimensão. A figura do glossário remete, tradicionalmente, para a elucidação de um conjunto de termos ou para um conjunto de notas anexas a um determinado texto. De âmbito restrito, entende-se como um dicionário especializado e surge como um léxico específico ligado a uma área de saber, um uso, uma obra, um registo de língua.

Tal glossário será, então, concebido como um objecto com capacidade potencial de dilatação, pelo acesso aberto à colaboração, seja através de novos termos e descritivos seja através de contribuições que acrescentem informação aos já existentes. Mas tal abertura não significará a dispensa de uma selectividade quer nos termos – há que definir a sua pertinência – quer nos modos de abordagem que devem responder à coerência do todo. O dispositivo digital permitirá um ambiente propício à expansão e interligação das entradas, e destas aos materiais reunidos neste portal, dando-lhes uma morfologia aproximada à da cartografia que envereda por uma perspectiva analítica e espacial. No ciberespaço, essa cartografia não se projecta na superfície da carta mas na ordem tridimensional das múltiplas conexões entre entradas. A estas conexões acrescenta-se a articulação múltipla que esta plataforma poder oferecer: entre texto, imagem, vídeo, registo sonoro, etc.

Para atender à especificidade do projecto, os termos e descritivos serão agrupados em núcleos temáticos ou meta-temáticos, tomando uma configuração não puramente alfabética, mas permitindo também estabelecer vizinhanças profícuas que estabeleçam regimes intratextuais de leitura.

Teremos então conjuntos de vocábulos a considerar segundo isotopias que os atravessam. A segmentação em núcleos proposta como ponto de partida não pretende pré-determinar as abordagens nem considerar o corpus de análise sob uma focagem teórica pré-definida, mas ensaia uma percepção dos objectos que se oferecem à análise e através de instrumentos teóricos e críticos capazes de os formular, assim como uma avaliação das dimensões epistémicas que será preciso rever em função da pertinência desses mesmos objectos de análise. Deste modo, a abordagem é inversa à proposta metodológica clássica em que os materiais são focalizados segundo campos pré-definidos, partindo, neste caso, da singularidade do corpus para questionar os modelos de análise e conferir-lhes validade.

Como ponto de partida, as “Cartografias da Cultura Afro-Lusa” propõem quatro planos de abordagem: Usos e Práticas; Usos Linguísticos; Epistemologias; Artes.

Maria Augusta Babo

#[Secções de Glossário]

USOS e PRÁTICAS

Abordagem dos usos e as práticas atinentes às comunidades que se situam no diálogo intercultural afro-luso. Os modos e as modas de interacção cultural.

USOS LINGUÍSTICOS

Recolha de vocabulário específico das comunidades afro-lusas, assim como expressões idiossincráticas; criação de termos, formações sintácticas relevantes no corpus de análise e passíveis de configurar uma poética da língua que ponha em relevo uma ecologia linguística capaz de rever o conceito de monolinguismo identitário.

EPISTEMOLOGIAS

Reunião e avaliação do vocabulário teórico-crítico que orienta a investigação dos contextos coloniais e pós-coloniais, nomeadamente no plano dos fenómenos socio-culturais deles decorrentes. As grandes áreas convocadas são: a história contemporânea, a antropologia, os estudos coloniais e pós-coloniais, a teoria da cultura e os estudos culturais, a linguística, a narratologia, a teoria da imagem e os estudos visuais, a semiótica, os estudos artísticos, entre outras.

ARTES

Mapeamento dos imaginários coloniais e pós-coloniais, produzidos por ideologizações, estilizações e desconstruções, patentes em obras e autores modernos e contemporâneos, nos domínios da literatura, do artesanato, das artes visuais, do cinema da performance, do teatro e da música.